Não sou celibatário. Não sou beneditino.
A realidade racional desdita o sacrifício
De sentir as agonias da abstinência do vício
De viver além de mim, não ver o destino.
Enquanto existir o gélido amor viperino,
Hesitarei em amar ou acabarei num hospício
Tentando mudar a órbita, o eixo, o solstício
Desse globo que deixa o amor, mofino.
Sou a ovelha desgarrada que sumiu do mapa
Fugindo da ignorância do pastor e do Papa;
Apesar de respeitar o amor franciscano.
No lamaçal pútrido em que chafurdo...
Mesmo não acreditando no Deus absurdo,
Pertenço à derrocada do reino humano.
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