Fui gerado por uma ave de rapina
que fazia o ninho em algum planalto.
Ainda no ovo, meu irmão dava seu salto,
voando em busca duma nova colina.
Saí do ovo, e ele já cumpria a sua sina
se retirando num penhasco de basalto.
Eu era apenas um ser alado e incauto;
frágil ao inverno com a penugem fina.
Mas, desengonçado, voei sem paradeiro.
O meu irmão com seu voo altaneiro
conquistou outros céus além do ninho.
A ave mãe salvou seu filho desesperado,
mas tentei de novo e voei descontrolado...
Hoje tento encontrar algum caminho.
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