O orvalho resvala sobre o santuário
Onde jaz o túmulo do último enterro.
Deixou lágrimas no tropel do calvário,
Em olhos tristes, num carnal desterro.
As ruas ficaram sujas de enfeites gris;
Marcando a triste quarta-feira.
Logo todo despejo do ontem infeliz
Irá com chuva de verão derradeira.
Foi o enterro da festa urbana
Que deixou indícios da alegria mundana
Em cada sorriso forçado e trivial.
Quem vê as pessoas caladas sem assunto;
Plangentes e exaustas... Não há defunto...
Todos sabem que acabou o carnaval.
*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha
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