As folhas secas entre os ventos uivantes
esfacelam-se pelo tempo e o sol.
No fim, caem no solo, num novo arrebol
não serão mais folhas vãs e errantes.
Nelas não há glicose à seiva elaborada,
que alimenta as raízes através do floema.
Então a árvore para manter o sistema
solta ao vento as folhas velhas da ramada.
Sou uma folha seca caída no outono.
Já não aspiro da atmosfera, o gás carbono.
Já não sou estrutura de energia presa.
Fui folha verde na primavera sem flores.
Agora sou folha seca pelos dissabores
das leis coordenadas da Natureza.
*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha
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