sexta-feira, 21 de março de 2014

Argonauta da dor




A chuva caia sobre a noite silente e fria.
Eu via em meus olhos um rio (o Cocito).
Levando-me ao reino de Hades que existia
no meu peito eternamente em conflito.

Assim viajei mais do que Jasão podia:
de Tessália, rumei ao horizonte infinito.
Navegava sem deuses, pátria e etnia,
pois não tinha devoção, símbolo ou mito.

Mas errante do que o sofrido Odisseu!
Sem restos de mim, pois tudo que foi meu,
o mar revolto desta vida levou ao final.

As ondas me jogaram num penhasco;
de meu Argo restou, apenas o casco.
Hoje sou ádvena na própria terra natal.



*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha 

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