Vem a agrura terrível que encobre
Toda a cidade amarga, triste e violenta.
Todo amor humano é uma fera sedenta
Que sacia a sua sede e logo soçobre.
O amor é rico, ao mesmo tempo é pobre
Se nas ilusões o homem se acorrenta
Na medonha paixão, eterna tormenta.
Antes que o sentimento se desdobre
Na águia que devora o ser. Ele exaspera
Quando sua própria carne se regenera
Na fúria de Prometeu voluptuário.
Assim é o suplício dorido da sapiência.
Todo amor é sempre feito de penitência;
Pra todo amor existe um santuário.
*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha
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