Trabalhei sem turno um ano inteiro
Pra sepultar o credo de vil espiritualidade.
Perdi a autocrítica, debilitei a vontade...
Eu era um beato sem destino e paradeiro.
Vivia na prisão dum tenebroso mosteiro
Procurando conter a própria liberdade.
Hoje sou um estranho pela cidade,
Mas num cemitério sou o feliz coveiro.
No íntimo enterro, eu quebrei santuários:
Estátuas, altares, crucifixos e lampadários;
Assim esqueci a beatitude difamatória.
Os cacos de imagens; a bíblia rasgada;
A fé denegrida e a batina queimada;
Ficarão pra sempre na memória.
*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha
Nenhum comentário:
Postar um comentário