sexta-feira, 21 de março de 2014

Sepultando crenças II




Trabalhei sem turno um ano inteiro
Pra sepultar o credo de vil espiritualidade.
Perdi a autocrítica, debilitei a vontade...
Eu era um beato sem destino e paradeiro.

Vivia na prisão dum tenebroso mosteiro
Procurando conter a própria liberdade.
Hoje sou um estranho pela cidade,
Mas num cemitério sou o feliz coveiro.

No íntimo enterro, eu quebrei santuários:
Estátuas, altares, crucifixos e lampadários;
Assim esqueci a beatitude difamatória.

Os cacos de imagens; a bíblia rasgada;
A fé denegrida e a batina queimada;
Ficarão pra sempre na memória.

*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha 




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