sexta-feira, 21 de março de 2014

Indistinto



Em tudo nesta vida, no fim, reconheço
que sempre tenho ido longe demais...
Hoje, como um fantasma, apareço
nas esquinas sujas, avenidas e quintais.

Ando errante na cidade e desapareço
entre bares e igrejas – coisas triviais.
Pelo sentido de tempo, não tenho apreço,
se vago nos desertos existenciais.

Cambaleio irrequieto e indistinto.
A noite negra desabando... Pressinto
que no absurdo obscuro o ser subdivide...

Se sorrir não já é um ato de bravura,
procuro o prazer de amorosa aventura
para ver se alguma coisa progride.

 *Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha 


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