Lá no céu sinistra e horripilante revoada:
são garis silvestres: urubus – aves aziagas –
que espreitam carnes laceradas e chagas
de um corpo cambaleante na erma estrada.
Esta será a derradeira e triste invernada!
Daqui a pouco nessas longínquas plagas
um corpo se decompondo nas praias vagas
ou restos de carcaça de uma sedenta caçada.
Agora das alturas... fezes em minha cabeça.
E por mais medonho e cômico que pareça:
ainda não desfaleci em pleno sol a pino.
Sobre a areia escaldante sem alfombra,
nenhum urubu carniceiro me assombra,
pois já convivo com fantasmas do destino.
*Todos os direitos
reservados a Rodrigo Azenha
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