sexta-feira, 21 de março de 2014

Cidadão




Estava perambulando sobre a calçada,
Ouvindo os trovões pelos seus ribombos.
Vi uma mulher fora de si e desesperada
Que cambaleava quase aos tombos.

Num beco vi e senti um assombro:
Um homem de joelhos clamava para céu.
Ele levantou e pegou no meu ombro:
_ Você que deveria ser o verdadeiro réu...

A chuva caia e fui pra casa, pensativo.
Com as palavras frias daquele morto-vivo
Sofrendo na margem da civilização...

Analisando meu amor e minha vaidade:
Vi-me numa asquerosa sociedade...
Realmente aquele homem tinha razão...

*Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha 





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