SONETO
Depois que a chuvarada lavou a rua,
lá fora se vê o monótono panorama.
É o mesmo ambiente, o mesmo drama,
a selvageria na qual se perpetua
Na falsa visão que a percepção insinua
a não viver os outros ângulos da trama
da decadência na qual se proclama
a miséria, onde o valor humano não atua.
Agora a chuva parece corrompida,
pois não leva a sujeira da alegria fingida
e nem a ignorância que se torna capricho.
Assim todo amor se acaba em trapaça.
Toda paixão humana se torna desgraça
e se extingui as espécies desse nicho.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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