SERTÃO
Um dia seguindo o anjo insipiente,
que não enxergava a desgraça humana.
Parti para o sertão – perdi a tramontana –
onde a miséria se vestia de gente.
Quando apareceu o verme eloquente
o qual possuía a fala doce e lhana.
Logo fui atraído por sua chicana;
por ser jovem e olvidar a serpente.
Hoje, do ressentimento, sou escravo.
Aquele sertão era tão hostil e bravo,
quanto o drama da floresta de cimento.
Entretanto o urbe é o lugar que conheço.
Se ainda hoje busco, choro e padeço,
foi a tolice e a falta de discernimento.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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