SEGUNDA-FEIRA
Sentado debaixo duma mangueira.
No meu rosto triste, o vento soprava.
Só o movimento galaxial continuava
levando aquela densa segunda-feira
formada por monturos da semana inteira.
Fiquei segurando-a; sorria e cambaleava
disfarçando a solidão que amordaçava
a esperança – volúpia derradeira –
no delírio medonho do eu contraditório
em busca de revela-se no ilusório
mundo desfeito em frangalhos.
A primavera floriu o sertão estio,
mas veio a tristeza do inverno sombrio...
Hoje são apenas ermos e retalhos.
*Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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