MAR DA SENECTUDE
Na rua, eu via os jovens curtindo o sol,
num dia de tempo quente e abafado.
Eles estavam felizes, jogando futebol;
e eu me via um objeto antiquado.
Quando o dia findou num parco arrebol;
me sentia um jovem velho e cansado.
Imaginei ondas batendo num ignoto atol...
a tarde era eu, o coral mais desgastado.
O terrível e arcano mar da senectude,
com ondas tenebrosas de inquietude,
jogou-me, de novo, nas praias da solidão.
Viajando nas fendas do rosto encoberto
de manchas dos grãos em mar aberto
o qual esfacelou o estúpido coração.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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