terça-feira, 19 de novembro de 2013

Mar da senectude

MAR DA SENECTUDE

Na rua, eu via os jovens curtindo o sol,
num dia de tempo quente e abafado.
Eles estavam felizes, jogando futebol;
e eu me via um objeto antiquado.

Quando o dia findou num parco arrebol;
me sentia um jovem velho e cansado.
Imaginei ondas batendo num ignoto atol...
a tarde era eu, o coral mais desgastado.

O terrível e arcano mar da senectude,
com ondas tenebrosas de inquietude,
jogou-me, de novo, nas praias da solidão.

Viajando nas fendas do rosto encoberto
de manchas dos grãos em mar aberto
o qual esfacelou o estúpido coração.

* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha

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