MONGE INSANO
Um dia um monge exaltando a sua gnose
queria voltar ao universo subatômico.
Não queria depender do RNA ribossômico,
do ácido desoxirribonucléico e da glicose.
Queria que suas células fizessem apoptose.
Não aceitava o ermo aquoso fisionômico,
se o amor é um engodo tragicômico
cuja interação lembra uma osmose.
Então se viu dependente do oxigênio;
percebeu que universo era heterogêneo,
sem individualidade no referencial terreno.
Seu pranto era o solvente, e ele o soluto.
Não morreu, porém, vestiu-se de luto
vendo que a vida é seu próprio veneno.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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