INSTINTO
Quando vem a brisa de primavera,
suavemente, afagando o meu rosto;
ou mesmo ferindo a contragosto...
recordo as mãos meigas de uma pantera
que esconde as garras e não se exaspera.
Fico no jardim, sozinho e indisposto
vendo, ao longe, as queimadas de agosto...
sinto toda dor que no mundo impera.
Hoje as estações são meus devaneios.
Os invernos são matagais secos e feios
demonstrando que não voltou o sorriso.
Pois cheiro olores e provo outros frutos
dos mais doces e prazerosos atributos...
deserto-me do meu próprio paraíso.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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