LÁGRIMAS
Descrevo a desdita invisível no rosto
oriunda do coração cheio de desamores.
Foram invernos e primaveras sem flores,
que no final me deixaram disposto
a relatar a sana voraz do eu oposto
aos mais sinceros e frios rancores
desse eu em comum a todas as dores,
sob as quais me fascino a contragosto.
Sou correntezas sem desembocadura.
Lágrimas em versos, vida de aventura,
quando poetizo meu diário de bordo.
O sentimento é uma fonte ininterrupta
composta de dor aquosa abrupta
do oceano de tristezas que transbordo.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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