CÉLULA EGOÍSTA
Blastômeros, mórula – células se dividindo –
assim cheguei a este mundo agonizante.
Hoje sou este homem viandante,
tentando manter-se vivo e sorrindo.
Continuo a me dividir e coexistindo
com o núcleo rijo do ego dominante.
Este mesmo que faminto, recalcitrante
no acaso, buscou se adaptar evoluindo.
Foi englobando moléculas e organelas.
As eras deixaram, para sempre, seqüelas.
Uma delas é a mitocôndria fagocitada.
Célula egoísta que só vive em conjunto,
largará este ser quando ele for defunto
e partirá de novo ao reino do nada.
* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha
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